Pintura Automotiva além do preto e prata

A semana da moda de Nova York começa em 8 de setembro, seguida por Londres, Milão e Paris. E você se pergunta o que raios isso tem a ver com a sua vida – ou com a C/D. Bem, quem sempre se orgulhou de ter fugido dos modismos por usar camiseta surrada e jeans a vida inteira pode estar na crista da moda ao comprar aquele carro novo de cor bacana.

Sóbrias ou berrantes, as cores usadas pelos estilistas mais badalados tingem não somente as roupas das estações futuras, como podem ditar os próximos pigmentos automotivos. “As pessoas gostam de se vestir como os carros e vice-versa. Identifificando as tendências em todo o mundo, ajudamos os fabricantes a desenvolver paletas”, afirma Nancy Lockhart, gerente de marketing de cores da DuPont.

Peter Fassbender, responsável pelo Centro Estilo Fiat América Latina, diz que, além do trabalho com os fabricantes de tinta, novos tons podem surgir por sugestões do departamento de design ou até do marketing. O importante é que a cor vista bem a carroceria – e claro, que a diretoria a aprove. “Quando o modelo é novo, nem sempre podemos aplicar as cores fisicamente, por sigilo industrial, ou por não dispormos de um carro pronto. Aí, aplicamos em um modelo virtual, e depois testamos no mundo real: no caso das cores do Novo Uno, por exemplo, testamos no frontal do Palio“, afirma Peter.

AbrePOVO FELIZ, CORES DEPRÊ

Mas entre as fábricas de carros, passarelas de estilistas e as linhas de produção locais, há um filtro: a aceitação do povo, que é medida por meio de pesquisas e clínicas fechadas.

Nisso, há um contraste curioso: países frios e de paisagens sóbrias possuem ótima aceitação de cores vibrantes. É por isso que na Inglaterra você vê o Ford Focus RS em um tom de verde quase radioativo – aliás, o verde é a segunda cor preferida da gélida Rússia.

Fiat se beneficia das renderizações 3D para avaliar o “caimento” das cores em modelitos virtuais – caso do Novo Uno. E no Brasil? Aqui, temos uma alegre profusão de… tons monocromáticos, que dominam 84% do mercado. Isso explica porque só temos o i30 em preto ou prata, por exemplo. Segundo pesquisa feita pela DuPont, o prata lidera com 34% da preferência dos brasileiros, seguido pelo preto (24%), branco (13%) e cinza (12%). Entre os argumentos, valor de revenda, associação à ideia de sofisticação e discrição predominam.

Para todos os tons restantes do mercado, sobram míseros 16%. “Dessas, a maior parte está concentrada nos esportivos e aventureiros”, diz Alex de Amorim, supervisor de desenvolvimento de cores da PPG. Além destes segmentos, a chegada de carros urbanos divertidos, como o UnoPicantoSmart, temperam um pouco a paleta das nossas ruas com tons de verde, azul e amarelo. Mas, por enquanto, nada parece arranhar o monocromático império do prata.

DEU BRANCO, MAS O HORIZONTE É MARROM

Se você não esteve em órbita nos últimos três anos, é provável que tenha testemunhado a invasão de gadgets da Apple. Graças a eles, a cor branca ganhou apelo de tecnologia e sofisticação. Além de ter sido muito usada na moda verão nos últimos dois anos, o branco foi incorporado ao segmento automotivo de luxo em todo o mundo – até mesmo em São Paulo, onde a cor sempre teve dificuldades devido ao seu uso em táxis. Mas de acordo com a DuPont, a tendência é de que os fabricantes de automóveis utilizem cada vez mais variações de marrom metálico para oferecer um visual exclusivo para os veículos. Já vemos este tom presente em aventureiros, como o Citroën C3 AirCross, e em automóveis exclusivos – caso do Audi R8.

 

FONTE: Car And Drive